Wylinka capacita milhares de cientistas empreendedores

Centenas de organizações, cientistas, estudantes, mentores e voluntários foram impactados com ações da Wylinka apenas em 2020 e 2021, contribuindo para o desenvolvimento de dezenas de soluções tecnológicas

A inovação brasileira continua aquecida, com novas tecnologias desenvolvidas todos os dias. Parte importante desse conhecimento é construído a partir de pesquisadores e universidades em diversos locais do País, mas esse ecossistema fértil de tecnologia frequentemente tem dificuldade em dialogar com o mercado para transformar o que é pesquisado em solução viável e escalável para a sociedade.

De acordo com o ranking mundial Global Innovation Index 2021, o Brasil está entre as seis economias emergentes que se encontram no Top 100 clusters de ciência e tecnologia. Porém, o mesmo estudo realizado em 2019 aponta que, para mais de 540 mil artigos publicados no País, apenas 9 mil pedidos de patentes foram depositados no Brasil. Ou seja, só 1,6% da produção científica brasileira se transforma em inovação patenteada.

É nessa ponte que a Wylinka, instituição sem fins lucrativos que atua no ecossistema de inovação de base científica e tecnológica, vem realizando programas ligados à transferência de tecnologia ou transformação em universidades. Entre as ações realizadas encontram-se mapeamentos tecnológicos, promoção de tecnologia e a formação de milhares de cientistas nacionais em empreendedorismo e inovação.

Utilizando abordagens de ensino de empreendedorismo para avanço da inovação nacional, a Wylinka está atuando para mudar o cenário da inovação de base científica e tecnológica no País, trabalhando como parceira de diversas instituições públicas e privadas. “Poder participar dessa transformação no Brasil é um grande marco na história da Wylinka, além de contribuir com a construção de modelos e metodologias que podem ser replicadas para mais e mais cientistas do país”, ressalta a diretora-presidente da Wylinka, Ana Calçado.

Lacuna no apoio ao desenvolvimento de base científica e tecnológica

Um dos motivos pelos quais o desenvolvimento de inovações de base científica e tecnológica no Brasil é desafiador, é que existe uma lacuna de apoio em algumas etapas da jornada de uma solução desse tipo. Nos últimos oito anos, os investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação vêm recebendo sucessivos cortes. De 2013 a 2016, esses investimentos caíram pela metade. Enquanto isso, de 2020 para 2021 os cortes foram de 32%. Recentemente, houve o corte de mais de 90% da verba suplementar destinada ao setor.

Programas de fomento à inovação junto a empresas são uma das frentes mais afetadas desde 2014. A perda maior é de R$ 4,8 bilhões para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), além de cortes em bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) – como aponta a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Empreender para inovar

A Wylinka acredita que o empreendedorismo e a inovação estão ligados e incentiva cientistas, em suas capacitações, a aprender a identificar problemas, projetar soluções e elaborar planos de ação para tirar suas pesquisas do papel e transformá-las em inovação.

Ana Calçado, diretora-presidente da Wylinka, explica que treinamento, prática, contato com o mercado e formação de qualidade são essenciais para que o pesquisador consiga financiar suas ideias e que a missão da Wylinka é proporcionar essa aproximação da ciência com o mercado no Brasil.

“Orientamos o caminho para chegar aos ambientes de apoio à inovação, bem como buscar empresas e alternativas de investimentos que podem ajudar o pesquisador a transformar sua solução em um produto viável. Com esse know-how e uma boa ideia escalável, o empreendedor tem mais facilidade para encontrar recursos para sua execução”, considera Ana.

Massificando o empreendedorismo científico

Um dos projetos em andamento já está impactando cerca de mil pesquisadores, com o objetivo de massificar o empreendedorismo científico por meio de capacitações e ferramentas que possibilitam a formação remota.

“Queremos promover a cultura de inovação e do empreendedorismo na comunidade científica, gerando novos negócios e startups baseados nas tecnologias desenvolvidas; capacitar o público em metodologias de desenvolvimento de negócios deep tech e conectar as tecnologias com o ecossistema de inovação. Esse é o nosso propósito todos os dias,” completa Ana Calçado, diretora-presidente da instituição.

Case de sucesso: pomada cicatrizante

As pesquisadoras Raquel Alves e Érika Alvarenga participaram de um dos programas de aceleração dos quais a Wylinka foi parceira e executora. Elas desenvolveram uma pomada cicatrizante para feridas abertas que rapidamente obteve o interesse de investidores e parceiros. Com isso, apenas alguns meses após o programa, conseguiram uma parceria com uma empresa de cosméticos para financiar os testes clínicos do novo produto.

Érika afirma que a ciência é muito importante para o desenvolvimento de produtos e que o programa foi essencial para dar a ela a confiança de que é capaz de desenvolver algo que, em alguns anos, poderá estar à venda. “Para mim foi transformador, foi a parte que eu vi que é o que realmente quero. Não é somente ser cientista, mas também empreender. Fazer com que a ciência realmente desenvolva produtos”, comenta.

Ela acrescenta que o programa deu a ela uma visão além da ideia, com o método e os caminhos possíveis para tirar o projeto do papel e obter resultados. “É extremamente motivador. Eu acho que isso é necessário pois renova a ciência. Temos a possibilidade de fazer transferência de tecnologia, trabalhar em parceria também com as indústrias e levar para a prateleira todo o conhecimento que a gente tem em forma de um produto palpável”, resume.

A pesquisadora Raquel Alves explica que a pesquisa desenvolvida atua com nano materiais e biogel de colágeno para o fechamento de feridas cirúrgicas. “Até então, nunca tínhamos participado de nenhum programa de empreendedorismo, de pré-aceleração. Foi um momento ímpar, acredito, na minha vida e da professora Érica, porque eu nunca tinha ouvido falar, nem entendia como era esse mundo do empreendedorismo”, conta Raquel.

“Tive certeza de que, a partir daquele momento, minhas perguntas de pesquisa tinham que dar algo mais que um artigo”, acrescenta a pesquisadora.