Você acredita no metaverso?

Fabio Costa é Chairman/CEO da Casa Mais – Plataforma Reuni

Desde o anúncio da mudança do nome do Facebook para Meta, o metaverso tem sido
pauta frequente nos meios de comunicação. Obviamente, trata-se de uma nova
estratégia comercial encabeçada pelo CEO, Mark Zuckerberg, para se posicionar como referência nessa tendência. Contudo, não se trata de um tema novo.

Sou aficionado por tecnologia e posso dizer, com orgulho, que a empresa que
comando hoje nasceu dessa paixão. E digo com segurança que o sucesso dos nossos
projetos e a superação dos desafios que eles nos proporcionam estão intimamente
ligados a isso, não somente no que diz respeito à minha paixão pelo assunto, mas
também de toda a minha equipe.

Sendo assim, é curioso ler sobre o metaverso diariamente e ver muitas das coisas que
vi nascerem serem abordadas, afinal esse universo digital paralelo precisa de muitas
tecnologias para ser efetivado. Por exemplo: há 10 anos já atuava com a captação de vídeos em 360 graus, produto que até hoje é muito importante para a empresa.

O tempo passou e os vídeos em 360 graus passaram a permitir experiências imersivas, por meio do uso de óculos em Realidade Virtual. Por mais que muita coisa tenha acontecido desde então, esse primeiro movimento já era um passo para o metaverso.

O que quero dizer é que vejo essa possível nova realidade como algo não tão novo e,
sim, como uma convergência de tecnologias. Mas essa é uma forma simplista de
explicar. Vivemos em um mundo onde a tecnologia muda nossa forma de
viver. Então, dizer simplesmente que o metaverso é uma fusão de tecnologias não
basta. Tudo nos leva a crer que, na verdade, esse novo universo pode ser criado para
mudar a nossa forma de viver.

Comparativo

Ok, entendo que meu último parágrafo pode ter deixado o tema muito “aberto”. Mas
vou explicar melhor aqui. Veja os seguintes exemplos: Em tempos bem remotos, as pessoas não tinham o luxo de ouvir música em casa. Era preciso sair para ir até shows e apresentações. Atualmente, você não precisa sair de onde está para isso.

Antigamente, em tempos bem menos distantes do que o da situação anterior, você
precisava ir até o banco para realizar pagamentos e para fazer qualquer transação
bancária. Hoje, você não precisa sair de onde está para isso. Precisa comprar uma roupa? Compras no mercado? Sem problemas. Ao contrário do que acontecia antigamente, você não precisa mais sair do lugar; consegue fazer isso com apenas um clique.

Há algumas décadas, quando era preciso mudar de casa ou escritório, era preciso se
deslocar para cada um dos possíveis novos locais para locação ou compra. Atualmente,
por mais que esse ainda não seja um passo totalmente dispensável, você pode fazer
uma pré-triagem, sem sair do lugar. E, veja, se a sua intenção é investir, nem
precisa conhecer pessoalmente o local escolhido!

Obviamente, poderia citar outras tantas situações, mas tomaria muito espaço neste
texto. O relevante a se pensar é no que existe em comum em todas essas colocações:
você consegue fazer as mesmas coisas que as pessoas faziam no passado, mas agora
sem sair do lugar. Ora, parece que existe uma vertente da tecnologia que tem mesmo
esse foco! Ou seja, estamos falando da mesma ideia do metaverso, ainda que em
proporções bem menores.

Limites humanos

Muitas coisas que temos hoje seriam chamadas de ficção no passado. E digo “seriam”
porque muitas delas sequer poderiam ser imaginadas. Sendo assim, entendo que
muito do que é ficção hoje, pode ser realidade no futuro. Mas somos seres biológicos e
temos nossas necessidades básicas, como comer, fazer as nossas necessidades e tomar
banho, por exemplo. Isso é algo que pode nos fazer sair de um possível metaverso,
ainda que parcialmente, como com o uso de Realidade Mista.

Contudo, não são todos os limites biológicos que são uma barreira para esse universo digital paralelo. A vida humana é pautada por sentimentos e sentidos. No metaverso, a visão e a audição, por exemplo, podem trazer sentimentos e, nesse sentido, as experiências são realmente enriquecidas.

Isso é algo que já acontece na realidade virtual. Mas para que o ser humano realmente viva a maior parte do tempo no metaverso, em sua casa virtual, trabalhando e se entretendo dentro dele, é preciso que ele seja mais atrativo.

Corpo humano e tecnologia

Para ilustrar o que quero dizer, vou citar um caso real. Acredito que muitos já devem
ter lido ou escutado que o uso de óculos de Realidade Virtual causa enjoos e tonturas
em alguns usuários. Pode ser até que tenha acontecido com você. Em uma explicação
simples, o motivo dessa reação é que a Realidade Virtual ficou tão real que o corpo
humano entra em conflito quando o cérebro entende que pessoa está em movimento
quando o corpo está parado.

Pois bem, esse é um problema real. Contudo, as empresas de tecnologia do ramo não
se contentaram e foram em busca de soluções para, ao menos, minimizar esses
efeitos. Mas o que quero mostrar aqui é que, discretamente, o limite biológico já foi,
de certa forma, rompido pela tecnologia, ainda que de forma negativa.

Sendo assim acredito que é possível fazer com que isso aconteça de forma positiva. Já
existem, por exemplo, esforços para desenvolver roupas com sensores táteis. Levando
essa realidade para o metaverso, você poderia, por exemplo, sentir a sua mão
pegando um objeto virtual ou, em um cenário mais avançado, sentir diferenças de temperatura ou o vento batendo no seu corpo. Coisa de ficção, não? Mas, como disse
anteriormente, a ficção de hoje pode ser a realidade do futuro.

Uma vida no metaverso

Em resumo, a ideia do metaverso é que podemos viver a maior parte do tempo nele,
seja para trabalhar, socializar e se divertir. Nesse cenário, o “sair de casa” é real, mas
dentro de um mundo virtual. De dentro da sua casa real, você entra na sua casa
virtual, logo de manhã, e dali você vai, virtualmente, para outros lugares, incluindo o
seu trabalho.

Nesse meio tempo, pode ser preciso ir até um shopping virtual comprar
uma roupa para o seu “eu virtual” ou ir até a escola do seu filho conversar com a
diretora “pessoalmente”. Entendo que para que essa seja uma realidade, muita coisa tem que acontecer. Assim, pode ser que somente as próximas gerações conheçam o verdadeiro metaverso parecido como o que está se formando no nosso imaginário.