Fabiano Falvo é vice-presidente da Hypeone

Inovação é um termo que se tornou desgastado nos últimos tempos – fala-se muito, mas o entendimento sobre a arte de inovar ainda é um desafio. Não estou dizendo que é uma prática desnecessária – acredito que é uma pauta obrigatória para todas as empresas. Mas muitas só caíram em si quando tivemos a pandemia, e temos casos históricos em negócios de marcas que se tornaram obsoletas por não acompanharem o ritmo do seu mercado.

Uma pesquisa da Dell Brasil consegue ilustrar perfeitamente o que estou falando: segundo o Innovation Index (Índice de Inovação), que entrevistou 6.600 líderes de negócios e TI em mais de 45 países, sendo 300 deles no Brasil, as empresas brasileiras se consideram mais inovadoras do que são. 83% dos entrevistados classificaram suas organizações como inovadoras – mas apenas 5% das empresas foram consideradas líderes pelo estudo. 42% das companhias brasileiras se encaixam na categoria de avaliadores da inovação – já demonstram uma preocupação com o tema e estão construindo planejamentos iniciais para acelerar a inovação. 97% (ou seja, praticamente todas) reconhecem a importância da inovação – e metade (46%) dos líderes brasileiros admitem que as soluções tecnológicas utilizadas atualmente não são avançadas o suficiente, e demonstraram temer ficar atrás dos concorrentes.

Acho que as empresas têm que partir da premissa que nem tudo que é tecnológico é inovação, e nem toda inovação vai ser puramente tecnológica. Mas a simbiose entre as duas é inquestionável. Na prática, inovar é como desenhar, ligando pontos. Os pontos estão ali – as tecnologias, os problemas, as necessidades, as ferramentas, os processos – e, quando começamos a ligá-los, começa a nascer uma nova forma, que vai juntar tudo e se tornar a solução para determinados desafios. Hoje temos, a cada dia, novos pontinhos disponíveis, prontos para serem conectados, que são as novas tecnologias disponibilizadas para consumo, seja por bigtechs em cloud ou projetos opensource.

Vivemos isso intensamente nos últimos anos, com tantos conceitos e projetos que fazem parte do nosso dia a dia e que não conseguimos mais nos imaginar sem – mas que, há alguns anos, eram referência somente em filmes de ficção científica ou, voltando mais ainda, nos Jetsons. Não falo somente de tecnologias como Waze e Uber, mas do FaceID, automóveis com direção assistida, bots de atendimento, entre tantas outras inovações que já estão presentes e disponíveis para qualquer projeto que queiramos implementar! Sem falar da famosa IA Generativa, que chegou e conquistou os corações de todos, já ocupando seu espaço na cena, embora ainda tenha muito mais para ser explorada e aplicada.

Inovando a Inovação

E eis um bom ponto, que é aonde quero chegar: como inovar a inovação? Um tema que já faz parte da pauta de todos os negócios, que as empresas já têm times e squads pensando nisso, mas que a sensação é a de sempre estarmos pensando à exaustão, andando em círculos?

O desafio não é apenas pensar e criar a inovação, mas, principalmente, fazer com que ela faça sentido, engaje seu público-alvo e traga resultado. Inovação por inovação, sem resultados práticos, sem resolver algum problema, sem melhorar processos, experiência e eficiência, com o perdão da brincadeira, fica com cara de feira de ciências do primeiro grau.

Sempre considero dois pontos nas minhas jornadas:

Quais as novas tecnologias disponíveis hoje e quais pontos podemos ligar para criar um novo desenho?

Um exemplo inquestionável são as possibilidades que a IA Generativa nos traz com sua evolução exponencial. Hoje, por exemplo, é possível fazer uso criativo e generativo em atendimentos por voz e texto, em diversos idiomas, 24×7, com fidelidade ao conteúdo e escalável. Considerando atividades de backoffice, podemos sintetizar páginas, reclamações, processos jurídicos e tratativas em simples sentenças, de forma automática. São novas opções que se somam aos cenários para desenho de inovações.

A inovação diminui esforço, tempo e custo?

O mercado costuma ter um certo entusiasmo quando surge uma tecnologia nova, com funcionalidades que impressionam e enchem nossos olhos. Mas, se no final do dia, ela não resultar em menor esforço, tempo e custo para o cliente, a inovação não engaja. Quer engajar seus clientes? Então pense em inovações que facilitem a vida do usuário, que permitam que ele direcione sua energia para outras ações mais estratégicas – aqui considero desde um “Toca Roberto Carlos, Alexa!” até um pagamento por aproximação feito pelo celular, que nos poupa de ter que abrir a carteira e pegar o cartão.

Ou que otimize e valorize o tempo gasto em certas tarefas – como o aplicativo sugerir trajetos mais curtos ou qual restaurante é mais perto para eu fazer um pedido. E por último – não menos importante – o custo. Se tenho menos trabalho e consigo fazer minhas tarefas com mais agilidade, por que não, se ainda vou gastar um pouco menos? É a melhor forma de eliminar qualquer entrave para o engajamento da inovação.

Se repassarmos a lista de inovações que mudaram nossa vida, você vai ver que elas seguiram esses passos. Se olharmos algumas que são ou foram muito legais e que não consideraram estes pontos, provavelmente cairão no esquecimento. Um exemplo é o de aplicativos de IA para gerar fotos – causou um buzz enorme no momento que foi lançado, com todo mundo criando seus avatares e imagens impecáveis, mas trouxe algo relevante para o dia a dia do usuário? Provavelmente não nos lembraremos deles num futuro próximo.

Por isso, a cada ciclo, voltamos para a prancheta e olhamos os desafios, as oportunidades e acrescentamos: quais as tecnologias disponíveis que agora posso usar? Qual inovação é capaz de diminuir esforço, tempo e custo para o meu usuário? Pensando assim, tenho certeza de que novos desenhos nascerão e, com eles, projetos inovadores de sucesso em 2024!